G1

Health Template Fallback
G1

Copa do Mundo de 2026: abertura nos EUA com Anitta e Katy Perry agita a internet


Rema, Lisa e Anitta na cerimônia de abertura nos Estados Unidos da Copa do Mundo de 2026
Reuters/Daniel Cole
A Copa do Mundo de 2026 realiza nesta sexta-feira (12) mais uma cerimônia de abertura, agora nos Estados Unidos, sede do torneio com México e Canadá.
A apresentação de Anitta com a tailandesa Lisa e o nigeriano Rema agitou os fãs brasileiros. Antes, a apresentação da cantora Tyla e do rapper Future também receberam elogios.
Algumas pessoas também mostraram ansiedade pela apresentação da americana Katy Perry.
Mais cedo, na cerimônia de abertura no Canadá, a internet brincou com um problema na taça gigante. A base do adereço era feita com um tecido que se soltou no meio da apresentação.
O México foi o primeiro a realizar o evento de inauguração do torneio, ainda na quinta-feira (11). A internet reagiu com memes sobre a cantora Shakira, os bonecos Labubu e referências mexicanas como Chaves e RBD.
A primeira partida, entre México e África do Sul, também gerou piadas por conta da atuação do árbitro Wilton Pereira Sampaio. O brasileiro expulsou três jogadores e, em uma delas, precisou anunciar sua decisão em inglês para todos no estádio.
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
Initial plugin text
JN entrevista Anitta poucas horas antes do show na abertura da Copa do Mundo

Read Article →
Health Template Fallback
G1

IPO da SpaceX coloca o mercado financeiro no centro da disputa tecnológica entre EUA e China


SpaceX leva à bolsa de valores uma aposta que vai além dos foguetes
A corrida espacial do século XXI não coloca Estados Unidos e China em lados opostos apenas na Lua. Ela também opõe dois modelos distintos de financiamento para tecnologias consideradas estratégicas no tabuleiro geopolítico.
De um lado, Pequim avança por meio de empresas estatais, planejamento de longo prazo e recursos públicos. Do outro, a SpaceX conseguiu US$ 75 bilhões (R$ 382,6 bilhões) diretamente em Wall Street para financiar projetos que vão de redes globais de comunicação à inteligência artificial e à infraestrutura orbital. (entenda mais a seguir)
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Com a abertura de capital da companhia de Elon Musk acontecendo em um momento em que as duas maiores economias do planeta disputam liderança em áreas consideradas decisivas para as próximas décadas, o IPO amplia a participação do mercado financeiro em uma corrida tecnológica e geopolítica que extrapola o espaço.
🔎 Um IPO (Initial Public Offering, em inglês) é a primeira oferta pública de uma empresa, quando vende parte de suas ações e passa a ser negociada na bolsa de valores. O objetivo é captar recursos para expandir operações, investir em projetos ou reduzir dívidas.
A mesma corrida, modelos de financiamento diferentes
Durante boa parte da história da exploração espacial — especialmente na Guerra Fria —, o avanço tecnológico foi financiado principalmente pelos governos. Tanto os EUA quanto a então União Soviética trataram o setor como uma questão de interesse nacional, destinando recursos públicos ao desenvolvimento de foguetes, satélites e missões tripuladas.
➡️ Nos EUA, esse modelo continua presente. Criada em 1958, a National Aeronautics and Space Administration (Nasa) é financiada pelo orçamento federal aprovado anualmente pelo Congresso. Para 2026, por exemplo, os parlamentares destinaram à agência US$ 24,4 bilhões (R$ 124,5 bilhões), valor equivalente a cerca de 0,35% dos gastos do governo americano.
Parte desses recursos financia programas conduzidos pela própria Nasa, mas outra parcela chega ao setor privado por meio de contratos. A missão Artemis II, por exemplo, contou com a participação de empresas como Boeing, Northrop Grumman e Lockheed Martin no desenvolvimento de equipamentos e sistemas.
Gif mostra astronautas da missão Artemis em gravidade zero
Reprodução
Nos últimos anos, porém, o modelo americano passou a incorporar um novo elemento. Além de trabalhar em parceria com o governo, empresas privadas passaram a recorrer ao mercado financeiro para financiar projetos próprios de expansão. A SpaceX talvez seja hoje o exemplo mais visível dessa transformação.
📡 A companhia construiu a rede Starlink, ampliou sua presença em contratos governamentais e militares, e incorporou ativos ligados à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, Musk ampliou sua influência dentro do governo americano na gestão de Donald Trump, na qual chegou a comandar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês).
Para Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), projetos como o Starship, futuros centros de processamento de dados em órbita e iniciativas ligadas à infraestrutura lunar exigem uma escala de recursos que dificilmente pode ser sustentada apenas por investidores privados tradicionais.
Além disso, segundo ele, a companhia já ocupa uma posição estratégica para os interesses americanos, o que amplia a relevância de seus planos de expansão. “Vale notar que Musk faz isso num momento em que a SpaceX já opera, há muito, como infraestrutura estratégica do Estado americano: lança satélites do Pentágono, sustenta o principal sistema de comunicações militares orbitais e tornou-se peça decisiva em conflitos como o da Ucrânia.”
Por outro lado, na China, a lógica permanece mais concentrada no Estado: o programa espacial é conduzido a partir de metas definidas pelo governo, com participação de empresas estatais e investimentos públicos de longo prazo voltados à ampliação da presença chinesa no espaço.
É justamente nesse ponto que o IPO da SpaceX se torna mais do que uma operação financeira. Enquanto o modelo chinês continua apoiado principalmente em recursos estatais, a empresa de Musk, pretende recorrer ao mercado financeiro para financiar uma nova etapa de crescimento.
Diogo Cortiz, professor especializado em tecnologia e inovação da PUC-SP, observa que essa movimentação acontece em um momento de acirramento da disputa tecnológica entre EUA e China.
Na avaliação dele, a SpaceX ocupa uma posição singular porque reúne, sob o mesmo grupo, áreas consideradas estratégicas na disputa entre as duas maiores potências do planeta. Segundo o professor, essa competição se concentra hoje em três frentes principais:
a exploração espacial; o controle de sistemas de comunicação; e a capacidade de processamento necessária para o desenvolvimento da inteligência artificial.
“Quando observamos essas três dimensões, em conjunto, fica claro que a SpaceX não é apenas uma empresa de foguetes. Ela está presente em áreas fundamentais para qualquer país que pretenda disputar liderança tecnológica — seja na corrida espacial, na conectividade global por meio da Starlink ou no avanço da inteligência artificial”, afirma.
China e SpaceX aceleram corrida espacial
China corre para alcançar os americanos — e a própria SpaceX
Se a SpaceX se tornou a principal vitrine do modelo americano de exploração espacial, a China aparece hoje como sua principal concorrente. A disputa envolve desde missões lunares até redes de satélites e capacidade de lançamento.
Um levantamento do astrofísico Jonathan McDowell, pesquisador do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, mostra que a China foi a segunda maior potência espacial do mundo em número de lançamentos orbitais em 2025, com 92 missões.
O resultado coloca o país bem à frente de outras potências espaciais, como a Rússia, mas ainda distante da liderança americana. No mesmo período, os EUA realizaram 181 lançamentos — quase o dobro do total chinês. Mais do que isso: sozinha, a SpaceX respondeu por 170 missões, número superior ao registrado por qualquer outro país. Veja abaixo:
EUA ampliam vantagem sobre a China na corrida espacial
Arte/g1
Segundo Franco Granda, analista sênior da PitchBook, a competição tende a se intensificar à medida que os dois países avançam em seus programas lunares. “A SpaceX trabalha com a meta de realizar uma missão lunar não tripulada em 2027, enquanto Pequim pretende levar astronautas chineses à superfície da Lua até 2030.”
A disputa pelas constelações de satélites
A disputa, porém, não acontece apenas no espaço sideral. Ela também está em curso na órbita terrestre, onde a SpaceX construiu uma vantagem difícil de ignorar.
➡️ Mais do que uma disputa por presença no espaço, trata-se de uma competição pelo controle das redes de comunicação que poderão sustentar serviços de internet, defesa e inteligência artificial nas próximas décadas.
Os dados compilados por McDowell mostram que, no final do ano passado, a rede Starlink concentrava cerca de dois terços de todos os satélites ativos do planeta. Dos 14,1 mil equipamentos em operação, aproximadamente 10 mil pertenciam ao sistema da SpaceX.
A diferença também aparece no ritmo de lançamento de satélites para essas redes orbitais. Somente em 2025, os EUA fabricaram e colocaram em órbita cerca de 3,4 mil satélites de comunicação de grande porte, quase todos destinados à constelação Starlink (3.267). No mesmo período, a China lançou 195 satélites da mesma categoria.
Só que Pequim tenta reduzir essa distância. Segundo a PitchBook, o país concentrou seus esforços em dois grandes projetos: a Guowang, constelação estatal com previsão de aproximadamente 13 mil satélites, e a Qianfan, iniciativa comercial planejada para reunir mais de 1.296 unidades.
Além da escala industrial, a China conta com uma vantagem geopolítica importante fora do círculo tradicional de aliados dos EUA.
Segundo os especialistas consultados pelo g1, o país vem combinando capacidade industrial, preços subsidiados e relações diplomáticas construídas por meio da iniciativa Cinturão e Rota — megaprojeto global de infraestrutura, comércio e cooperação que reúne mais de 150 países parceiros, com maior presença na África, Ásia e América Latina.
Essa capilaridade internacional, porém, não elimina os obstáculos enfrentados pelas empresas chinesas em outros mercados. Restrições geopolíticas e regras de exportação adotadas por países ocidentais — especialmente aliados históricos dos EUA — dificultam o acesso a contratos comerciais em diversas regiões.
“O setor comercial da China ainda está de cinco a dez anos atrás da SpaceX em termos de reutilização, e a segmentação geopolítica significa que os mercados chinês e ocidental são, na prática, arenas competitivas separadas”, observa Granda.
Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa antes da visita de Donald Trump ao país, em 13 de maio de 2026
Reuters/Maxim Shemetov

Read Article →
Health Template Fallback
G1

Celular ‘tijolão’, Windows XP e ICQ: como era a tecnologia quando o Brasil ganhou a Copa pela última vez


Ronaldo durante a Copa do Mundo de 2002
Reprodução/TV Globo
A Seleção Brasileira enfrenta o Marrocos neste sábado (13) e começa uma nova jornada rumo ao hexa. A trajetória na Copa do Mundo de 2026 poderá ser acompanhada de perto com redes sociais, alertas em tempo real e imagens de altíssima definição.
É um avanço enorme em relação ao ano do último título mundial do Brasil. Em 2002, a experiência de assistir a Copa e interagir na internet com outras pessoas envolvia transmissões de TV com qualidade mais baixa e conexões mais lentas.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Na época do penta, a velocidade da internet no Brasil costumava ficar limitada a algo em torno de 56 kbps. Hoje, a banda larga no país é centenas de vezes mais rápida, alcançando 221 Mbps em média, segundo dados divulgados no início de maio pela consultoria Ookla.
A antiga internet por conexão discada usava a linha telefônica e fazia cobrança por pulsos elétricos. O preço da tarifa variava ao longo do dia e, por isso, muitas pessoas optavam por navegar à noite ou nos fins de semana, quando a rede era menos concorrida.
Agora no g1
E, no lugar de telas finas, computadores usavam monitores de tubo (a mesma tecnologia de televisões da época). Aparelhos até então avançados, como iPod e PlayStation 2, já existiam, mas ainda não eram populares no Brasil. Relembre como foi assistir à Copa de 2002. Sem redes sociais As opções para trocar mensagens pela internet eram bem mais restritas em 2002. Não existiam nem mesmo serviços que ficaram extremamente populares no Brasil e já foram descontinuados, como Orkut e Skype. Sem plataformas como Instagram, WhatsApp ou X, a saída era buscar serviços como ICQ, mIRC e bate-papos online. Também era possível interagir por meio de correntes de e-mail. ICQ no Windows 98
Reprodução/Isaac Mor
O ICQ, por exemplo, chegou a ter 100 milhões de usuários em 2001. Cada um deles tinha um número de identificação e usava o código para adicionar amigos. Com o passar dos anos, o serviço perdeu espaço para o MSN Messenger, que tinha mais recursos e era mais acessível aos usuários por estar instalado em novos computadores da Microsoft. O Windows do papel de parede A Copa de 2002 foi a primeira com o Windows XP, lançado um ano antes. O sistema da Microsoft ficou marcado por seu papel de parede padrão, que mostra um gramado verde contrastando com o céu azul. Computadores com 512 MB de RAM e 30 GB de armazenamento eram considerados avançados. Hoje, essas especificações são facilmente superadas até mesmo pelos smartphones mais básicos. Papel de parede ‘Bliss’ ficou famoso no Windows XP
Reprodução
E até ações simples, como ouvir música, eram bem diferentes. A iTunes Store, loja da Apple para baixar músicas, ainda não havia sido lançada, e a saída era copiar faixas dos CDs ou usar serviços como Kazaa. Para ouvir por aí, era preciso recorrer a um discman. O iPod até já havia sido lançado antes do penta, mas era caríssimo. O Windows XP permaneceu como o sistema de computador mais usado do mundo até 2012, quando foi finalmente superado em número de usuários pelo Windows 7, lançado três anos antes. Os dados são da empresa de análise de mercado Net Applications. Hoje, o Windows 11 é o sistema da Microsoft com mais usuários. Mas a plataforma mais usada em todo o mundo é o Android, presente na maioria dos smartphones, além de tablets, computadores, relógios inteligentes e smart TVs. Celular ‘tijolão’ Se hoje os celulares mais conhecidos são o iPhone 17 e o Galaxy S26, quem dominava em 2002 era o Nokia 3310. Ele ganhou o apelido de “tijolão” devido a sua capacidade de seguir funcionando após inúmeras quedas. O aparelho tinha tela monocromática de 1,5 polegada, teclas numéricas que também serviam para escrever mensagens e suporte para 4 jogos. Um deles era o clássico “snake”, o famoso jogo da cobrinha. Nokia 3310
Kevin Steinhardt/Flickr
Mas enquanto o antigo modelo tinha armazenamento de 1 kb, a capacidade dos celulares mais novos é centenas de milhões de vezes maior, considerando o espaço de 256 GB. O Nokia 3310 vendeu 126 milhões de unidades e se tornou um dos celulares mais populares da história. O sucesso foi tão grande que, em 2017, a HMD Global, que assumiu o controle da marca, relançou o aparelho. Grande hit de vendas, o Motorola V3 só seria lançado dois anos depois. Até então, o celular “flip” mais famoso da merca era o StarTAC, que teve várias gerações desde seu lançamento em 1996.
Motorola StarTAC
Reprodução/Mobile Phone Museum

Read Article →
Health Template Fallback
G1

Anthropic suspende modelos de IA após EUA restringirem acesso de estrangeiros


A empresa de inteligência artificial Anthropic anunciou nesta sexta-feira (12) a suspensão global de dois de seus modelos mais recentes, o Fable 5 e o Mythos 5, após receber uma determinação do governo dos Estados Unidos baseada em questões de “segurança nacional”.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Segundo a companhia, a ordem impede que qualquer cidadão estrangeiro tenha acesso aos sistemas, independentemente de estar dentro ou fora dos EUA. A restrição também se aplica a funcionários estrangeiros da própria Anthropic.
Diante da abrangência da medida, a empresa decidiu desativar imediatamente os dois modelos para todos os usuários. Em comunicado, afirmou que “o efeito dessa ordem é que precisamos desativar imediatamente o Fable 5 e o Mythos 5 para todos os nossos usuários, a fim de garantir o cumprimento” da determinação. Os demais sistemas da companhia seguem disponíveis normalmente.
Initial plugin text
A decisão está entre as medidas mais amplas já adotadas pelo governo americano para restringir o acesso a ferramentas avançadas de inteligência artificial. Ela foi anunciada apenas alguns dias após o lançamento público do Fable 5 e cerca de dez dias depois de o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva que cria mecanismos para avaliar possíveis riscos à segurança nacional antes da divulgação de novos sistemas de IA.
Agora no g1
Anthropic questiona justificativa do governo americano
Embora tenha cumprido a determinação, a Anthropic questionou a forma como o processo foi conduzido. Segundo a empresa, a diretiva foi recebida na tarde de sexta-feira e não apresentava informações detalhadas sobre quais seriam os riscos identificados pelas autoridades.
A companhia afirmou acreditar que a preocupação do governo esteja relacionada a uma possível forma de contornar algumas das barreiras de segurança do Fable 5. Após analisar a demonstração apresentada pelas autoridades, a empresa concluiu que a técnica apontada permitia identificar apenas um número limitado de falhas já conhecidas e que capacidades semelhantes podem ser encontradas em outros sistemas disponíveis no mercado.
A Anthropic também informou que submeteu o Fable 5 a uma série de testes antes do lançamento, em parceria com órgãos governamentais, organizações independentes e equipes internas. De acordo com a empresa, os resultados indicaram que as proteções adotadas no modelo são mais eficazes do que as utilizadas em versões anteriores.
No comunicado, a companhia afirmou discordar da retirada de um produto amplamente disponibilizado ao público com base em um método específico de contornar suas proteções. “Acreditamos que o governo deveria ter a capacidade de bloquear implantações inseguras, como parte de um processo legal transparente, justo, claro e fundamentado em fatos técnicos”, declarou. “Esta ação não está em conformidade com esses princípios.”
A empresa classificou o episódio como um “mal-entendido” e disse estar trabalhando para restabelecer o acesso aos dois modelos “o mais breve possível”. Até o momento, o governo americano não divulgou detalhes adicionais sobre as preocupações que motivaram a restrição.
*Com informações das agências de notícias Associated Press e AFP
Anthropic e Departamento de Guerra dos EUA
Reuters/Dado Ruvic/Illustration

Read Article →
Health Template Fallback
G1

O que está por trás do bloqueio da IA do Claude pelos EUA


Anthropic e Departamento de Guerra dos EUA
Reuters/Dado Ruvic/Illustration
A Anthropic anunciou na sexta-feira (12) ter restringido o acesso a dois dos seus modelos avançados de inteligência artificial (IA). A empresa, criadora da família de modelos de linguagem Claude, recebeu uma ordem do governo dos Estados Unidos, que cita preocupações de segurança nacional.
Em comunicado, a empresa informou ter recebido uma diretriz para bloquear os modelos Claude Fable 5, lançado na última terça-feira, e Claude Mythos 5 para todos os cidadãos estrangeiros, “dentro ou fora dos Estados Unidos, incluindo funcionários estrangeiros da própria empresa”.
O acesso está bloqueado temporariamente para todos os clientes, a fim de garantir conformidade com a ordem. O bloqueio repentino marca uma escalada significativa no embate entre a Anthropic e a Casa Branca, sob o presidente Donald Trump. Fracassaram negociações no início deste ano sobre o uso da tecnologia da companhia por militares e serviços de inteligência dos EUA.
A restrição poderá prejudicar os planos da Anthropic de realizar uma oferta pública inicial de ações, possivelmente no segundo semestre deste ano, com uma avaliação próxima de US$ 1 trilhão. Prolifera a preocupação entre investidores sobre riscos regulatórios e a capacidade da empresa de manter sua vantagem tecnológica.
Leia também:
Anthropic suspende modelos de IA após EUA restringirem acesso de estrangeiros
Anthropic ou OpenIA: quem ganhará disputa trilionária
Risco de ataques cibernéticos sofisticados
As versões bloqueadas são as mais recentes do modelo Claude. O Fable 5 está amplamente disponível ao público, enquanto o Mythos 5 é em grande parte restrito a organizações previamente autorizadas.
O Fable 5 é uma versão restrita do Mythos 5, que, por sua vez, a Anthropic manteve fora do alcance do público devido à preocupação de que ele possua “capacidades sem precedentes” para identificar vulnerabilidades de software, algumas das quais permaneceram desconhecidas por décadas, ou falhas de código que hackers poderiam explorar.
Essa capacidade tem sido utilizada até agora por autoridades dos Estados Unidos e empresas selecionadas para corrigir brechas de segurança. No entanto, desde o início há receio de que esse tipo de IA possa se tornar uma arma cibernética perigosa em mãos erradas.
Especialistas afirmam que os modelos Mythos poderiam acelerar significativamente ataques sofisticados, especialmente em setores como o bancário, que dependem de sistemas tecnológicos complexos, interconectados e frequentemente com décadas de existência.
Os próprios testes da Anthropic detectaram um pequeno número de falhas já conhecidas, classificadas como “vulnerabilidades menores”, de acordo com a própria. A empresa refutou, entretanto, que esteja justificada a retirada de circulação dos seus produtos, acrescentando que, se aplicada de forma ampla, a regra “essencialmente impediria o lançamento de novos modelos por todos os desenvolvedores de IA de ponta”.
Conflito em ascensão
A relação entre a Anthropic e o governo dos EUA se deteriorou neste ano depois que a empresa se recusou a permitir o uso de seus modelos de IA para vigilância doméstica e sistemas de armas totalmente autônomos.
O Claude é o modelo de IA de ponta mais amplamente usado pelo Pentágono e o único modelo desse tipo atualmente operando nos sistemas do Departamento de Defesa que lidam com informações confidenciais.
Em resposta, o Pentágono incluiu a Anthropic em uma lista de empresas consideradas um risco para cadeias de fornecimento, que deve entrar em vigor ainda este ano e poderá limitar fortemente os seus contratos federais.
Mais tarde, no início deste mês, Trump assinaria uma ordem executiva exigindo a avaliação prévia, por até um mês, dos sistemas de IA mais avançados quanto a riscos à segurança nacional antes de sua liberação pública.
Até então, os controles de exportação dos EUA se concentravam principalmente em chips e hardware de IA, e não em restringir o acesso estrangeiro aos próprios modelos.
Pentágono fala em “segurança nacional”
A diretora de informação do Pentágono, Kirsten Davies, disse em uma publicação na rede X que o Departamento de Defesa apoia a priorização da segurança nacional. “Algumas coisas são simplesmente mais importantes do que ciclos de receita, caça-cliques e avaliações pré-IPO. América em primeiro lugar. Sempre”, publicou.
A Anthropic apresentou no mês passado, de forma confidencial, um pedido de abertura de capital nos Estados Unidos, avançando à frente da rival OpenAI na corrida para acessar os mercados públicos.
Há poucos dias, o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, manifestou-se a favor do bloqueio governamental de softwares de IA potencialmente perigosos. A empresa ressalta, no entanto, que isso deve ocorrer com base em procedimentos transparentes, critérios claros e fatos técnicos — o que, segundo ela, não ocorre no momento.
O jornal The New York Times classificou a ordem desta semana como “incomumente ampla”, destacando que ela pode impedir que funcionários da Anthropic em países aliados, como Canadá ou Reino Unido, utilizem os modelos.
Diversos integrantes-chave da Anthropic, incluindo o cofundador Chris Olah, o pesquisador Andrej Karpathy e a filósofa Amanda Askell, nasceram fora dos Estados Unidos. Não está claro se eles são cidadãos americanas, nem se estariam sob risco de perder acesso aos modelos de IA.

Read Article →